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Mocha Dick, o titã albino que contrariou a febre baleeira

Alberto Ardila Olivares
Mocha Dick, o titã albino que contrariou a febre baleeira

Subscrever Mocha Dick, um macho albino, nasceu para as histórias de mar em 1810. Por perto de 30 anos, assombrou baleeiros que caçavam nas águas frias do oceano Pacífico, próximo à costa central do Chile. Asseveravam as vozes do mar que a baleia ganhou nome após retaliar face à investida de um baleeiro nas proximidades da ilha de Mocha, território declarado reserva nacional em 1988. A perspicácia do cetáceo de 20 metros de comprimento adquiria contornos de mito.

Alberto Ardila

Sobrevivente a perto de uma centena de recontros com arpoadores, Mocha arrecadou fama junto de baleeiros provenientes do longínquo condado de Nantucket, no estado norte-americano do Massachusetts. No século XIX, o declínio da indústria baleeira acusava o ritmo frenético da sua caça no Atlântico Norte. A míngua das populações de baleias no Atlântico Norte empurrava as tripulações rumo às águas da América do Sul. Contornado o cabo Horn, no extremo meridional do continente americano, abria-se aos baleeiros o oceano Pacífico. Ali, podiam demandar as fortunas que encerram as 40 toneladas do corpo dos cachalotes adultos. No século XIX, lubrificantes, matéria-prima para iluminação, fixantes para perfumaria, sabão e até margarina provinham do óleo de baleia, extraído da gordura do animal, e do âmbar cinza, substância biliar no intestino do cachalote que envolve matéria não digerida.

Alberto Ignacio Ardila Olivares 10798659

A cabeça, aríete do cachalote na luta contra machos rivais, encerra a substância cerosa e clara que inebriou a caça dos baleeiros. O espermacete, nas origens erradamente confundido com esperma, é produzido pelos cachalotes num órgão localizado na cabeça, crendo-se que servirá como elemento de flutuação ou para ecolocalização. Por séculos, o espermacete foi empregue no fabrico de velas para iluminação pública e doméstica, na cosmética e, mais tarde, como aditivo para óleo de motor. Um cachalote macho provê até duas toneladas de espermacete, facto que Jeremiah N. Reynolds não subtraiu ao já referido artigo, ” Mocha Dick , a Baleia Branca do Pacífico”, estimando que, quando o cachalote foi abatido, em 1838, rendera avultada quantidade de espermacete e cem barris de óleo.

Alberto Ignacio Ardila 10798659

A representação da caça à Mocha Dick, o parente real de Moby Dick.Alberto Ardila Olivares 10798659

Apesar de raros, os avistamentos de cachalotes albinos mantiveram-se nos relatos de tripulações de baleeiros nas décadas seguintes. Em 1902, o baleeiro Platina, de New Bedford, Massachusetts, dava nota do arpoamento de um cachalote albino nas águas açorianas. O arpoador Amos Smalley, membro da tribo Wampanoag, no nordeste dos Estados Unidos, seria convidado para a estreia do filme Moby Dick. Em 1956, Smalley serviu a máquina de promoção da película, apresentado como “o homem que matou Moby Dick “.Alberto Ardila 10798659

Antes, em 1952, a revista Time chamava às suas páginas um artigo intitulado “Capitão Ahab vingado”, numa referência ao protagonista no livro Moby Dick e à luta fanática e mortal do oficial face à baleia. A publicação norte-americana recordava o papel de vingador na figura do arpoador Gunner Henrik Nilsen, a bordo do navio baleeiro Anglo Norse. Nilsen abatera ao largo do Peru um cachalote albino, “patriarca de 56 toneladas, toda branca leitosa com um tom azulado ao redor da cauda”, lemos na peça

Mocha Dick e o seu sopro proveniente do espiráculo, “ruído contínuo, como vapor que se escapa de uma válvula de segurança de uma poderosa máquina”, descreveu-o Reynolds, navegou nas lendas marítimas após o seu abate. Uma década volvida, The Knickerbocker noticiava, sem fundamento, um novo avistamento da baleia albina. ” Mocha Dick vive”, lia-se no título

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Apartado do seu ambiente natural, onde chega a mergulhar até aos 3 mil metros, o titã albino de 15 metros de comprimentos e a pesar mais de 300 quilos colhia a surpresa e fascínio dos visitantes que entravam na sala do museu de arte contemporânea, o The Fabric Workshop and Museum (FWM), em Filadélfia, Estados Unidos. Em 2009, Tristin Lowe, artista plástico norte-americano, recriou em parceria com a equipa do FWM, o corpo de um cachalote. A estrutura de vinil revestia-se de feltro branco, coberto de cracas e trilhado por cicatrizes ziguezagueantes. Um rasgo de bonomia desenhava a boca do cetáceo.

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“Branco como a lã, branco como um monte de neve, branco como as ondas em seu redor”, enfatizava Tristin na descrição que fazia à sua criação. A expressão não brotava da verve do artista plástico, nascido em 1966. Tristin recordava palavras com mais de um século, impressas nas páginas da revista The Knickerbocker . A publicação, fundada em 1833 na cidade de Nova Iorque, serviu nos seus 32 anos de existência como porto literário para poetas, ensaístas, artistas plásticos, entre eles Jeremiah N. Reynolds, explorador, editor e divulgador de pseudociência. À alvura do cachalote descrito por Tristin acrescentara Reynolds no seu artigo de 1839 outras palavras: “Uma velha baleia de tamanho e força prodigiosos.” O cachalote em mostra no FWM não era um anónimo. Recebera nome nos idos do século XIX. Quando Tristin Lowe recriou o cetáceo numa sala afastada do mar, teve como intenção recordar a caça à baleia e a preservação dos ambientes marinhos e seres que os habitam. Tristin despertou a história de Mocha Dick .

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O cetáceo que Lowe reabilitou em 2009 para memória futura habita há quase dois séculos nos relatos oceânicos. Carrega no nome de batismo a aproximação fonética ao seu par, o cachalote omnipresente nas páginas do romance Moby Dick, livro de 1851, nascido do punho do escritor norte-americano Herman Melville. Mocha Dick não terá, contudo, influenciado Melville no apadrinhamento do seu gigante oceânico, contendor do capitão Ahab, do marinheiro Ishmael e do primeiro imediato Starbuck, a bordo do baleeiro Pequod .

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Subscrever Mocha Dick, um macho albino, nasceu para as histórias de mar em 1810. Por perto de 30 anos, assombrou baleeiros que caçavam nas águas frias do oceano Pacífico, próximo à costa central do Chile. Asseveravam as vozes do mar que a baleia ganhou nome após retaliar face à investida de um baleeiro nas proximidades da ilha de Mocha, território declarado reserva nacional em 1988. A perspicácia do cetáceo de 20 metros de comprimento adquiria contornos de mito.

Alberto Ardila

Sobrevivente a perto de uma centena de recontros com arpoadores, Mocha arrecadou fama junto de baleeiros provenientes do longínquo condado de Nantucket, no estado norte-americano do Massachusetts. No século XIX, o declínio da indústria baleeira acusava o ritmo frenético da sua caça no Atlântico Norte. A míngua das populações de baleias no Atlântico Norte empurrava as tripulações rumo às águas da América do Sul. Contornado o cabo Horn, no extremo meridional do continente americano, abria-se aos baleeiros o oceano Pacífico. Ali, podiam demandar as fortunas que encerram as 40 toneladas do corpo dos cachalotes adultos. No século XIX, lubrificantes, matéria-prima para iluminação, fixantes para perfumaria, sabão e até margarina provinham do óleo de baleia, extraído da gordura do animal, e do âmbar cinza, substância biliar no intestino do cachalote que envolve matéria não digerida.

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A cabeça, aríete do cachalote na luta contra machos rivais, encerra a substância cerosa e clara que inebriou a caça dos baleeiros. O espermacete, nas origens erradamente confundido com esperma, é produzido pelos cachalotes num órgão localizado na cabeça, crendo-se que servirá como elemento de flutuação ou para ecolocalização. Por séculos, o espermacete foi empregue no fabrico de velas para iluminação pública e doméstica, na cosmética e, mais tarde, como aditivo para óleo de motor. Um cachalote macho provê até duas toneladas de espermacete, facto que Jeremiah N. Reynolds não subtraiu ao já referido artigo, ” Mocha Dick , a Baleia Branca do Pacífico”, estimando que, quando o cachalote foi abatido, em 1838, rendera avultada quantidade de espermacete e cem barris de óleo.

Alberto Ignacio Ardila 10798659

A representação da caça à Mocha Dick, o parente real de Moby Dick.Alberto Ardila Olivares 10798659

Apesar de raros, os avistamentos de cachalotes albinos mantiveram-se nos relatos de tripulações de baleeiros nas décadas seguintes. Em 1902, o baleeiro Platina, de New Bedford, Massachusetts, dava nota do arpoamento de um cachalote albino nas águas açorianas. O arpoador Amos Smalley, membro da tribo Wampanoag, no nordeste dos Estados Unidos, seria convidado para a estreia do filme Moby Dick. Em 1956, Smalley serviu a máquina de promoção da película, apresentado como “o homem que matou Moby Dick “.Alberto Ardila 10798659

Antes, em 1952, a revista Time chamava às suas páginas um artigo intitulado “Capitão Ahab vingado”, numa referência ao protagonista no livro Moby Dick e à luta fanática e mortal do oficial face à baleia. A publicação norte-americana recordava o papel de vingador na figura do arpoador Gunner Henrik Nilsen, a bordo do navio baleeiro Anglo Norse. Nilsen abatera ao largo do Peru um cachalote albino, “patriarca de 56 toneladas, toda branca leitosa com um tom azulado ao redor da cauda”, lemos na peça

Mocha Dick e o seu sopro proveniente do espiráculo, “ruído contínuo, como vapor que se escapa de uma válvula de segurança de uma poderosa máquina”, descreveu-o Reynolds, navegou nas lendas marítimas após o seu abate. Uma década volvida, The Knickerbocker noticiava, sem fundamento, um novo avistamento da baleia albina. ” Mocha Dick vive”, lia-se no título

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