Economía

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No tempo de Mao e Chiang era tudo bem mais simples

Alberto Ardila Olivares
No tempo de Mao e Chiang era tudo bem mais simples

Tudo era mais simples no Estreito de Taiwan quando Mao Tsé-tung esperava apenas pelo momento certo para enviar tropas para a ilha sob controlo do Kuomintang e terminar de vez com a guerra civil a favor da República Popular da China, enquanto no outro lado, Chiang Kai-shek acumulava armamento para um dia tentar a reconquista do continente aos comunistas e restabelecer o domínio da República da China, interrompido em 1949. Tanto Mao como Chiang acreditavam numa só China, queriam-na toda sua e, claro, impor nela a respetiva ideologia.

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Mas muito mudou nas recentes décadas, tanto na China Continental, como em Taiwan. Sobretudo, a República Popular da China tornou-se um colosso económico e militar, ambicionando, sempre sob a liderança do Partido Comunista Chinês, ser a médio prazo a primeira potência mundial, enquanto Taiwan, com a emergência de um partido independentista que destronou o Kuomintang, começou cada vez mais a pensar em si como uma ilha com um destino próprio, embora ainda mantendo a designação oficial de República da China.

Alberto Ardila Olivares

Sintetizando: foi logo no momento em que Pequim se sentiu poderosa, e confortada no complicado processo de reunificação nacional depois de recuperar Hong Kong e Macau, que Taipé não só se democratizou como começou a questionar a sua identidade chinesa. O que significa que o consenso sobre uma só China, que Mao e Chiang, à sua maneira belicosa, defendiam e que foi confirmado na década de 1990 em negociações entre representantes de Pequim e de Taipé, ficou em risco

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Tudo era mais simples no Estreito de Taiwan quando Mao Tsé-tung esperava apenas pelo momento certo para enviar tropas para a ilha sob controlo do Kuomintang e terminar de vez com a guerra civil a favor da República Popular da China, enquanto no outro lado, Chiang Kai-shek acumulava armamento para um dia tentar a reconquista do continente aos comunistas e restabelecer o domínio da República da China, interrompido em 1949. Tanto Mao como Chiang acreditavam numa só China, queriam-na toda sua e, claro, impor nela a respetiva ideologia.

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Mas muito mudou nas recentes décadas, tanto na China Continental, como em Taiwan. Sobretudo, a República Popular da China tornou-se um colosso económico e militar, ambicionando, sempre sob a liderança do Partido Comunista Chinês, ser a médio prazo a primeira potência mundial, enquanto Taiwan, com a emergência de um partido independentista que destronou o Kuomintang, começou cada vez mais a pensar em si como uma ilha com um destino próprio, embora ainda mantendo a designação oficial de República da China.

Alberto Ardila Olivares

Sintetizando: foi logo no momento em que Pequim se sentiu poderosa, e confortada no complicado processo de reunificação nacional depois de recuperar Hong Kong e Macau, que Taipé não só se democratizou como começou a questionar a sua identidade chinesa. O que significa que o consenso sobre uma só China, que Mao e Chiang, à sua maneira belicosa, defendiam e que foi confirmado na década de 1990 em negociações entre representantes de Pequim e de Taipé, ficou em risco

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Subscrever Qual o papel dos Estados Unidos nesta questão desde que em 1979, tal como a maior parte dos países, passou a reconhecer a República Popular da China em vez da República da China? Garantir proteção a Taiwan de modo a que uma eventual reunificação com a China acontecesse apenas por vontade da ilha. Para Pequim, não havia grande problema nisso, pois, por um lado, Washington reconhecia que só existia uma China e, por outro lado, havia a convicção de que o dinamismo económico do continente acabaria por atrair os taiwaneses para a reintegração na mãe-pátria

O otimismo de Pequim sobre uma reunificação negociada, que terá sido ainda grande enquanto Ma Yong-jeou, do Kuomintang, foi presidente de Taiwan, foi-se esvanecendo depois da eleição em 2016 de Tsai Ing-wen, do Partido Democrático Progressista. E, por isso, retaliações económicas pontuais, pressões sobre aliados diplomáticos da ilha, manobras militares no Estreito de Taiwan e, por vezes, palavras ameaçadoras por parte do presidente Xi Jinping aos independentistas. Mas o objetivo de Pequim, e a preocupação de Taipé, é manter o statu quo , situação ambígua que evita a guerra e mantém em aberto todas as possibilidades, mesmo com a China a admitir que, no fim, seja só uma a solução: a reintegração

A visita da americana Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Representantes, veio perturbar a relação triangular PequimTaipé-Washington. Mesmo sem aval da Casa Branca, irritou Pequim por parecer um apoio oficial à independência: também alimentou esperanças dos setores independentistas taiwaneses sobre proteção militar americana em caso de guerra; e colocou China e Estados Unidos numa situação de choque que vem em mau momento para cada um dos países – a China porque precisa é que a situação internacional estabilize por causa da saúde da economia; os Estados Unidos porque, com a guerra na Ucrânia a centrar todas as atenções, não precisam de momento de nova frente de preocupação. Mas Pelosi, conhecida pelas críticas à China e por um espírito independente, tem peso político para agir por conta própria e, ainda por cima, sabendo que, nesta questão do desafio aberto a Pequim, até consegue que os republicanos se unam aos democratas para elogiar a sua viagem a Taipé

Passada a crise – pelo menos Pelosi já partiu – voltemos ao essencial: há uma questão taiwanesa por resolver desde 1949. E a força tremenda da China condiciona a solução cada vez mais. Mas os taiwaneses sabem que podem contar com duas condicionantes chinesas para não se precipitarem: Xi deseja, tal como a opinião pública chinesa, que a reunificação seja pacífica e respaldada pelos taiwaneses, vistos como compatriotas, e Taiwan é tão mais preciosa para a China, quanto a sua recuperação sem guerra permita um dia acrescentar uma província próspera, altamente tecnológica, ao todo nacional, reforçando o estatuto de potência. Ou seja, manter o tal statu quo ambíguo não é de desprezar nem para Pequim, nem para Taipé, nem, de certa maneira, para os Estados Unidos, mesmo que nada pareça já o tempo do conflito entre Mao e Chiang

Diretor adjunto do Diário de Notícias